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Anvisa proibe esterilização
liquida de equipamentos |
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a esterilização
líquida de equipamentos médico-hospitalares usados em cirurgias consideradas
invasivas (em que há penetração da pele, mucosas ou tecidos). Eles são usados em
procedimentos por vídeo, cirurgias abdominais e pélvicas, mamoplastias e
cirurgias plásticas, como a lipoaspiração.
A proibição foi publicada ontem no "Diário Oficial da União" e tem como objetivo
controlar o surto de contaminação por micobactérias no país -especialmente pela
micobactéria M. massiliense.
A partir de agora, a esterilização dos equipamentos usados nesses procedimentos
deverá ser feita em equipamentos de autoclave -máquinas que esterilizam através
do calor úmido, sob pressão.
Com a resolução, a Anvisa espera reduzir o número de infecções confirmadas, que,
entre 2000 e 2008, somaram 2.128 casos, 80% deles registrados na rede privada de
saúde.
"Esse surto é uma particularidade do Brasil. Nenhum outro país do mundo
apresentou um número tão elevado de casos de infecção. Precisamos entender por
que as micobactérias são tão resistentes, por isso tomamos uma medida sanitária
nacional. A melhor maneira de controlar a infecção é não permitir que ela
ocorra", afirma o gerente-geral de Tecnologia em Serviços de Saúde da Anvisa,
Heder Murari Borba.
A resolução também estabelece normas para controle e acompanhamento dos
pacientes. Todos aqueles que forem submetidos a cirurgias por vídeo, abdominais
e pélvicas, mamoplastias e cirurgias plásticas terão de ser monitorados durante
90 dias pelo hospital ou clínica em busca de sintomas suspeitos da infecção.
Além disso, os casos suspeitos ou confirmados de infecção por micobactérias
deverão ser informados à vigilância sanitária local e à Anvisa, por formulário
disponível no site da agência. Laboratórios de análises clínicas também deverão
informar os casos confirmados.
"A intenção é dar mais uma garantia ao paciente que procura o serviço de saúde
para fazer cirurgia. E, antes dessa norma, as notificações dos casos aconteciam,
mas não de maneira normatizada", diz Borba.
A resolução já está em vigor e a fiscalização caberá às vigilâncias sanitárias
municipais e estaduais. Em caso de descumprimento, podem ser aplicadas multas
entre R$ 2.000 e R$ 1,5 milhão e penalidades que vão de notificação até a
interdição do estabelecimento.
Março/2009
FERNANDA BASSETTE
da Folha de S.Paulo
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u527797.shtml

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