Palcos da tragédia do césio vão virar parque e museu em Goiânia (GO)

MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha

Palcos do maior acidente radiológico da história, dois terrenos onde cápsulas do césio 137 foram abertas em Goiânia vão ser transformados em parque e museu a partir de 2010.

O concreto que "enterrou" a casa onde o material foi violado por catadores de sucata dará lugar a um corredor de luzes naturais que simula uma espécie de cápsula de três metros de largura e 42 de comprimento.

Siron Franco/Divulgação

Projeto do Museu do Césio, que será instalado no local onde ocorreu o maior acidente radiológico da história, em Goiânia (GO)

A idéia, segundo o artista plástico goiano Siron Franco, responsável pelo projeto, é instalar no local 35 painéis, feitos com resina, sobre os quais serão inseridos objetos como bonecas, máscaras, fotografias de vítimas em tamanho natural e recortes de notícias sobre o caso.

Ele pretende utilizar também símbolos que representem o acidente, como uma marreta usada para abrir a cápsula, em um ferro-velho de Goiânia, que liberou a radiação que afetou 700 pessoas e matou ao menos quatro, em setembro de 1987.

A cápsula violada continha material radiológico usado em aparelhos de um instituto de radiologia próximo ao local.

Siron, autor de uma série de trabalhos sobre o tema, diz que os painéis levarão informações históricas e científicas ao visitante "através da arte".

No museu haverá também uma rocha bruta de urânio e informações sobre o nível de radioatividade local, hoje considerado baixo.

O projeto inclui também a instalação, pela Prefeitura de Goiânia, de um parque numa área também atingida pela radiação, próxima ao museu. Hoje, os dois terrenos estão abandonados.

Zacharias Hamu/Divulgação-8.mai.09

Local onde cápsula de césio foi aberta em 1987 e que vai abrigar museu, em Goiânia

"O museu vai trazer autoestima para o bairro. Quando você vê um museu, sabe que o problema foi superado. É também um alerta", diz Siron.

Segundo o médico Zacharias Calil Hamu, da Superintendência Leide das Neves --órgão criado pelo governo do Estado para atender os afetados pelo acidente--, mesmo após 22 anos do desastre, os imóveis próximos ao acidente estão desvalorizados. "Ainda existe um estigma nessa região", diz.

Pedro Rodrigues, representante da associação de familiares e vítimas do acidente, diz que ainda não avaliou se o projeto será benéfico para o bairro. Afirma, porém, que o foco dos agentes públicos deve ser o atendimento "a um monte de gente", vítima do acidente, que até ainda não foi indenizada.

Segundo Hamu, o Estado paga indenização para 468 pessoas vítimas do desastre.

 

fonte: www.folha.com.br

Site Elaborado Por: Marcelo Ortiz Ficel